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domingo, 4 de abril de 2010

Pomba Gira Rosa Caveira



Pomba gira pouco co­nhe­cida, tem reputação de maravilhosa curandeira e
as­pecto inquietante.


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Nas imagens popu­lares, ironicamente difí­ce­is de encontrar no Brasil, ela
exibe um corpo meio esquelé­tico e meio humano coberto com capa e capucho.
Nos meios tradicionais é dito que ela é a "esposa" de Seu João Caveira, exu
da "Velha Guar­da" do cemitério e Chefe da Linha dos Caveiras, um grupo de
ser­vi­­dores fiéis e muito pres­tativos.
Em conversa ao pé do con­gá, com alguns irmãos de fé que também circulam
pelos caminhos de algumas reli­giões de origem bantu (Kim­banda, Cangerê,
Cabula), ou­vi que Do­na Rosa Caveira é protago­nis­ta de inú­meras lendas.
Uma delas conta que Rosa nasceu no Oriente.
Sétima filha de uma simples família do campo, desde cedo aprendeu com seus
pais as artes da cura, pois eles eram afamados xamãs. Sua fa­lecida avó foi
sua primeira guia espiritual.
Em sonhos, a querida al­ma da ancestral instruia e aconselhava a neta.
Rosa era uma menina privile­giada.
Aos dezenove anos ela conheceu um xamã mui­to mais velho.
Eles se apaixonaram e casaram.
Ela então começou um perío­do muito intenso de atendi­mento espiritual aos
cidadãos de sua vila e arredores.
Sua vi­da trans­correu cheia de méri­tos e bênçãos.
Rosa morreria depois de seu marido, sa­bo­re­an­do o prazer de uma
exis­tência de­dicada os mais necessitados.

Outra lenda nos conta o se­gre­do de seu nome...
Ao redor da ca­sinha onde sua família morava existia um roseiral selvagem.
No final da gra­videz, sua mãe não teve tempo de pedir ajuda à parteira
local e a menina nasceu ali mesmo.
Daí o nome: Rosa.

Por que caveira ?
Em certas regiões do Oriente, so­bretudo na Índia, Tibet e Butão, alguns
xamãs e yogues utiizam a caveira hu­mana como um cálice ritual.
A ca­veira, assim utilizada, não está relacio­nada com magia negra ou
qualquer arte malévola.
No Budismo Tibetano os Lamas utili­zam uma caveira como cálice.
Também fazem um pequeno tambor com duas metades de caveira...
Na Índia ele é chamado de Damaru e a caveira de Kapala.
Quando conheci a lenda de Rosa Caveira, imediatamente percebi a co­nexão com
as tradições yogues e tibe­tanas.
Pode ser que a lenda tenha se oci­dentalizado e a planta original, que
poderia ser o lótus, tenha se trans­for­mado em rosa.
Neste caso seu nome seria Pema em tibetano. Em sânscrito, seu nome
espiritual seria Kapa­la­padma (Lótus Caveira).
Na tradição budista e mágica do Tibet, Mongólia e arredores, existem mui­tas
histórias e lendas com as mes­mas características das aqui men­cio­nadas.
Ela se perpetuou como curandeira poderosa e ponte entre os diversos reinos
do astral.
Uma outra curiosidade cir­cunda esta Pomba Gira. Rosa Ca­veira trabalha e
vi­bra no cemitério...
Em algu­mas tradições orientais, as mes­­mas mencionadas acima, certo grupo
de adeptos utiliza o cemitério para tra­balhos espirituais de cura e
transfor­mação. Eles são cha­ma­dos de Kapa­likas ou portadores da caveira!
As mu­lhe­res do grupo, além da caveira transportam um tridente.
Certa vez eu estava caminhando com um amigo indiano pelas ruas do centro de
São Paulo.
De repente, dian­te de uma loja de artigos religiosos, ele literalmente
ficou paralisado!
Uma grande e vermelha estátua de Pomba Gira estava diante de nós.
Nua, majestosa, segurando um tridente e com uma caveira nos pés.
Shivaji, meu amigo indiano, se cur­­vou aos pés da imagem e disse:
"Trishula Kapala Ma! O que você faz aqui?"
Trishula Kapala Ma é a Mãe do Tri­dente e da Caveira,
uma re­pre­sen­tação do femi­nino sagra­do que po­de ron­dar os lugares de
cremação.
Ela des­­trói os fantasmas ma­­lignos e os demô­nios, come as ilusões
hu­ma­nas e resgata as almas das mãos dos seres das tre­vas.
Seu aspecto pode ser "terrí­vel", mas a luz e a bonda­de emana de seu
cora­ção.
Atrás do aspecto funesto de Rosa Caveira com certeza brilha a mesma luz.
Nela se encontram o Oriente e o Oci­dente, o vermelho e o branco, a vida e a
morte.

Autor Edmundo Pellizari
Sou uma rosa, sou um perfume, sou a mais bela de qualquer jardim, ouço lamentos, ouço queixumes, não há mulher que não venha até mim. Sei seduzir, me deixo seguir, a palavra dificil para mim não existe, de preto e vermelho, ou sem me vestir, homem algum a mim me resiste. Bebo champanhe, fumo cigarro, digo mil coisas sem nunca falar, sei ler na mão, jogo o baralho, a mim só me engana quem eu deixar. Se alguém precise e me queira encontrar, siga o perfume em noite de luar, diga meu nome sem se enganar, sou Pombagira, a rua é meu lar. Autor: Paulo Lourenço

POMBAGIRA SETE SAIAS DO CABARÉ

POMBAGIRA SETE SAIAS DO CABARÉ
SALVE SETE SAIAS DO CABARÉ!
DONA SETE SAIAS, É MOJUBÁ!