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terça-feira, 15 de março de 2011

Pombas Giras e Exús na Umbanda


Na Umbanda, em vez de se cultuar diretamente o Orixá Exu, é mais comum o culto aos Exus e às Pomba-giras, trabalhadores da chamada Esquerda, oposto complementar da Direita.
Ao longo da História, o conceito de esquerdo/esquerda foi de exclusão e incompreensão.
Alguns exemplos: pessoas canhotas vistas sob suspeita aos olhos de parte do clero e da população da Idade Média; em francês, esquerdo/esquerda é gauche, que também significa atrapalhado, destoante; em italiano, esquerdo/esquerda é sinistro/sinistra, que nos lembra algo obscuro.
Incompreendidos e temidos, Exus e Pomba-giras vítimas da ingratidão e da intolerância, não apenas de religiões que não dialogam e discriminam a Umbanda e o Candomblé, mas, infelizmente nessas próprias religiões: há mais-velhos do Candomblé que ainda chama Exus de "escravos" ou "diabos", enquanto alguns umbandistas afirmam "não quererem nada com Exu".


Em linhas gerais, costuma-se, por exemplo, valorizar o médico, e não o lixeiro.
Contudo, ambos os profissionais são extremamente importantes para a manutenção da saúde de cada indivíduo e da coletividade.
Em termos espirituais, a Esquerda faz o trabalho mais pesado de desmanches de demandas, de policiamento e proteção de templos (portanto, toda casa de oração tem os seus Exus), de limpeza energética, enfim.
No anonimato, sob nomes genéricos e referentes à linha de atuação, aos Orixás para os quais trabalham, Exus e Pomba-giras são médicos, conselheiros, psicólogos, protetores, exercendo múltiplas funções que podem ser resumidas numa palavra: Guardiões.
Se em pinturas mediúnicas, Exus e Pomba-giras apresentam-se com imagens e fisionomias "normais", por que as estatuetas que os representam parecem, aos olhos do senso comum, associá-los ainda mais ao Diabo cristão?
Por três razões básicas:

a) Os símbolos de Exu pertencem a uma cultura diversa do universo cristão. Nela, por exemplo, a sexualidade não se associa ao pecado e, portanto, símbolos fálicos são mais evidentes, ligados tanto ao prazer quanto à fertilidade, enquanto o tridente representa os caminhos, e não algo infernal.

b) A área de atuação de Exus e Pomba-giras solicita elementos tais quais os utilizados por eles (capas, bastões etc.) ou que os simbolizam (caveiras, fogo etc.), vibrações cromáticas específicas (vermelho e preto) e outros.

c) Do ponto de vista histórico e cultural, quando as comunidades que cultuavam Orixás perceberam, além da segregação, o temor daqueles que os discriminavam, assumiram conscientemente a relação entre Exu e o Diabo cristão, assim representando-o, como mecanismo de afastar de seus locais de encontro e liturgia todo aquele que pudesse prejudicar suas manifestações religiosas.
Nesse sentido, muitos dos nomes e pontos cantados de Exu, do ponto de vista espiritual (energias e funções) e cultural-histórico são "infernais".
A Esquerda também é conhecida como Quimbanda, o que não dever ser confundido com Quiumbanda, isto é, trabalho de quiumbas, espíritos de vibrações deletérias, que não são os Exus e Pomba-giras trabalhadores da Umbanda e/ou Guardiões de outras tradições religiosas e/ou espirituais. Para diferenciá-los, muitos preferem chamar os Exus e as Pomba-giras de Umbanda de "Exus batizados".

De modo bem simples, Exus e Pomba-giras podem ser definidos como agentes da Luz nas trevas (do erro, da ignorância, da culpa, da maldade etc.).


Exus

Quando encarnados, geralmente tiveram vida difícil, como boêmios, prostitutas e/ou dançarinas de cabaré (caso de muitas Pomba-giras), em experiências de violência, agressão, ódio, vingança.
Conforme dito acima, são agentes da Luz atuando nas trevas. Praticando a caridade, executam a Lei de forma ordenada, sob a regência dos chefes e em nome dos Orixás.
Devem ser tratados com respeito e carinho, e não com temor, à maneira como se tratam amigos.
Guardiões não apenas durante as giras e as consultas e atendimentos que dão nas giras de Esquerda, são os senhores do plano negativo ("negativo" não possui nenhuma conotação moral ou de desvalor), responsabilizam-se pelos espíritos caídos, sendo, ainda, cobradores dos carmas.
Combatem o mal e estabilizam o astral na escuridão.
Cortam demandas, desfazem trabalhos de magia negra, auxiliam em descarregos e desobsessões, encaminham espíritos com vibrações deletérias para a Luz ou para ambientes específicos do Astral Inferior, a fim de ser reabilitarem e seguirem a senda da evolução.
Sua roupa geralmente é preta e vermelha, podendo usar capas, bengalas, chapéus e instrumentos como punhais.
Como soldados e policiais do Astral, utilizam uniformes apropriados para batalhas, diligências e outros.
Suas emanações, quando necessário, são pesadas e intimidam.
Em outras circunstâncias, apresentam-se de maneira elegante.
Em outras palavras, sua roupagem fluídica dependem de vários fatores, como evolução, função, missão, ambiente etc.
Podem, ainda, assumir aspecto animalesco, grotesco, possuindo grande capacidade de alterar sua aparência.
Os Exus são alegres e brincalhões e, ao mesmo tempo, dão e exigem respeito. Honram sua palavra, buscam constantemente sua evolução.
Guardiões, expõem-se a choques energéticos.
Espíritos caridosos, trabalham principalmente em causas ligadas aos assuntos mais terrenos.
Se aparentam dureza, franqueza e pouca emotividade, em outros momentos, conforme as circunstâncias, mostram-se amorosos e compassivos, afastando-se, porém, daqueles que visam a atrasar sua evolução.
Suas gostosas gargalhadas não são apenas manifestações de alegria, mas também potentes mantras desagregadores de energias deletérias, emitidos com o intuito de equilibrar especialmente pessoas e ambientes.
É muito importante o consulente conhecer a casa üque se freqenta, para que não se confunda Exu e Pomba-gira com quiumbas.
Pela lei de ação e reação, pedidos e comprometimentos feitos visando ao mal e desrespeitando o livre-arbítrio serão cobrados.
Quanto às casas, a fim de evitar consulentes desavisados, algumas optam por fazer giras de Esquerda fechadas, enquanto outras as fazem abertas, mas quase sempre com pequena preleção a respeito da Esquerda.



Pombas-giras

Trabalham com o desejo, especialmente com o sexual, freando os exageros e deturpações sexuais dos seres humanos (encarnados ou desencarnados), direcionando-lhes a energia para aspectos construtivos.
Algumas delas, em vida, estiveram ligadas a várias formas de desequilíbrio sexuais: pela Lei de Ação e Reação, praticando a caridade, evoluem e auxiliam outros seres à evolução.
Alegres, divertidas, simpáticas, conhecem a alma humana e suas intenções. Sensuais e equilibradas, descarregam pessoas e ambientes de energias viciadas. Gostam de dançar.
Infelizmente, são bastante confundidas com quiumbas e consideradas responsáveis por amarrações de casais, separações e outros, quando, na verdade, seu trabalho é o de equilibrar as energias do desejo.
Exemplo: quando alguém é viciado em sexo (desequilíbrio), podem encaminhar circunstâncias para que a pessoa tenha verdadeira overdose de sexo, de modo a esgotá-la e poder trabalhá-la para o reequilíbrio.
Assim como os Exus de caráter masculino, as Pombas-giras são agentes cármicos da Lei.
Suas cores geralmente são vermelho e preto. Alguns nomes: Maria Molambo, Sete-Saias, Maria Padilha, Pomba-gira do Cruzeiro, Pomba-gira Rosa Caveira etc.




Escrito por Ademir Barbosa Júnior
Adaptação de capítulos de novo livro do autor, ainda sem título e em fase de fechamento editorial, que será publicado em maio, com noites de autógrafos em Piracicaba, no dia 25, e em São Paulo, no dia 27
http://www.mundoaruanda.com/index.php?option=com_content&view=article&id=758:sobre-a-esquerda-na-umbanda&catid=64:ademir-barbosa-junior&Itemid=95
Sou uma rosa, sou um perfume, sou a mais bela de qualquer jardim, ouço lamentos, ouço queixumes, não há mulher que não venha até mim. Sei seduzir, me deixo seguir, a palavra dificil para mim não existe, de preto e vermelho, ou sem me vestir, homem algum a mim me resiste. Bebo champanhe, fumo cigarro, digo mil coisas sem nunca falar, sei ler na mão, jogo o baralho, a mim só me engana quem eu deixar. Se alguém precise e me queira encontrar, siga o perfume em noite de luar, diga meu nome sem se enganar, sou Pombagira, a rua é meu lar. Autor: Paulo Lourenço

POMBAGIRA SETE SAIAS DO CABARÉ

POMBAGIRA SETE SAIAS DO CABARÉ
SALVE SETE SAIAS DO CABARÉ!
DONA SETE SAIAS, É MOJUBÁ!